Evento ocorre após a confirmação do projeto da Brazil Green Energy, a primeira planta comercial de hidrogênio verde e amônia para fertilizantes.
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Começa hoje (1º) e vai até a próxima quarta-feira (3) no hotel Serhs em Natal (RN), o IV Brazil Offshore Wind & Power-to-X (BOWPX) reunindo especialistas nacionais e internacionais, representantes da indústria, dos ministérios, de empresas investidoras, de universidades, e lideranças estratégicas para discutir os caminhos da transição energética e neoindustrialização sustentável global.
A edição deste ano contará com representantes da Dinamarca, Holanda, Bélgica, Japão, Reino Unido, País Basco, Filipinas e Colômbia, ampliando o diálogo internacional sobre inovação energética, desenvolvimento industrial e modelos regulatórios.
O evento é aberto para o público em geral nos dias 1 e 2 com os serviços de tradução simultânea inglês-português-inglês e em Libras, o que amplia sua dimensão internacional e consolida-o como o maior fórum brasileiro dedicado à energia eólica offshore, hidrogênio verde e novas rotas industriais ligadas à descarbonização.
O crescimento dos projetos de energia renovável coloca o Nordeste entre as regiões mais promissoras do mundo para produção de energia limpa, especialmente diante da expansão da cadeia do hidrogênio verde e das tecnologias Power-to-X, que transformam eletricidade renovável em combustíveis e insumos para descarbonização de diversos setores industriais.
O Brasil possui uma das maiores fontes competitivas de energia eólica offshore do planeta e o Rio Grande do Norte vem assumindo posição estratégica nessa corrida global por investimentos em energia limpa, infraestrutura portuária, inovação tecnológica e produção de produtos verdes.
Nesse cenário, o BOWPX representa um espaço de articulação entre ciência, tecnologia, mercado, governos e sociedade para discutir não apenas os avanços técnicos e econômicos do setor, mas também os impactos sociais, ambientais e territoriais dessa transformação.
No encontro será apresentado o projeto Morro Pintado, da empresa Brazil Green Energy, anunciado como a primeira planta comercial desse porte voltada à produção de hidrogênio verde e amônia verde para fertilizantes no país.
O empreendimento foi anunciado pelo governo do RN e será instalado no litoral de Areia Branca (RN), na região de Mossoró, a aproximadamente 280 quilômetros de Natal, resultado de uma parceria entre empresas do Brasil e da Alemanha, com apoio institucional do governo alemão.

IV Brazil Offshore Wind &Power-to-X – Divulgação
O empreendimento faz parte do Porto Indústria Verde, o complexo tem apoio do governo do RN que prevê investimentos estimados em R$ 12 bilhões para produção de hidrogênio verde (H2V), amônia verde e ureia verde, fortalecendo a estratégia de neoindustrialização baseada em energia renovável.
O coordenador-geral do evento, o professor Mario González, do Centro de Tecnologia da UFRN, acredita que o momento exige que o país trate a transição energética como uma estratégia ampla de desenvolvimento.
“Estamos diante de uma oportunidade histórica. O Brasil já demonstrou capacidade de gerar energia elétrica renovável em larga escala. Agora o desafio é transformar esse potencial em insumo, possibilitando a descarbonização industrial com agregação de valor dos recursos naturais, para um maior desenvolvimento dos territórios”.
Outro ponto que ganha relevância no evento é o papel institucional do Rio Grande do Norte na abertura regulatória do setor. O estado participou recentemente de processos pioneiros ligados ao licenciamento e a primeira autorização para hidrogênio verde do Brasil foi liberado pelo IDEMA, reforçando o protagonismo do estado na construção desse novo mercado.
Este ano a coordenação do evento reservou um espaço para discussão internacional crescente sobre justiça energética e desenvolvimento regional, conceito que busca garantir que os benefícios da descarbonização sejam distribuídos de forma equilibrada e que os custos sociais não sejam concentrados em populações vulneráveis.
Nesta segunda e terça-feira a programação do BOWPX vai reunir debates sobre regulação do setor eólico offshore, segurança jurídica, licenciamento ambiental, uso das áreas marítimas destinadas aos parques eólicos, desenvolvimento da cadeia de suprimentos, infraestrutura portuária, atração de investimentos internacionais e formação de mão de obra especializada. A quarta-feira foi reservada para uma rodada de negócios a convite.
A presença internacional também incluirá a explanação da experiência da Dinamarca, do Reino Unido, da Holanda, da Bélgica e da Colômbia. A diretora da associação colombiana do setor participou do evento apresentando o caso da primeira cessão de uso de área marítima da América Latina para desenvolvimento de energia offshore, trazendo elementos comparativos importantes para o cenário brasileiro.


