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A MRS Logística vai investir R$ 1,3 bilhão na compra de 50 novas locomotivas para renovar sua frota.
O contrato, firmado com a Wabtec Brasil, inclui também peças de reposição e serviços de manutenção de longo prazo. As máquinas serão produzidas na fábrica da Wabtec em Contagem, em Minas Gerais, e as entregas estão previstas até junho de 2032.
O anúncio foi feito durante a InnoTrans, maior feira mundial de tecnologia ferroviária, em Berlim.
Segundo a MRS, a aquisição faz parte do processo de modernização da frota e busca aumentar a confiabilidade dos equipamentos e a eficiência do transporte de cargas nos estados em que a companhia atua: Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo.
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Para o presidente da MRS, Guilherme Segalla de Mello, a decisão não está ligada apenas à expansão do transporte.
A companhia também pretende substituir equipamentos mais antigos e incorporar tecnologias capazes de reduzir o consumo de combustível e as emissões da operação.
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“Acreditamos que o setor ferroviário brasileiro realmente é pujante”, afirmou o executivo. “O enorme interesse internacional no mercado brasileiro esse ano é prova disso”.
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Concessionária de ferrovias MRS Logística: locomotivas serão modernizadas (Valeria Gonçalvez/Agência Estado/EXAME/VEJA)
Menos combustível e emissões
As novas locomotivas pertencem à série Evolution, da Wabtec. De acordo com a MRS, a tecnologia permite melhorar a eficiência energética da operação e reduzir a intensidade das emissões.
As novas locomotivas não são híbridas. A empresa, porém, afirma avaliar alternativas para reduzir a dependência do diesel.
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“A descarbonização da frota é um processo de alta complexidade”, diz Segalla. Segundo ele, a MRS já realizou testes com diferentes tecnologias e acompanha na feira soluções híbridas e totalmente elétricas.
A empresa também avalia o uso de combustíveis alternativos. O executivo citou a possibilidade de utilização de biodiesel de maneira mais eficiente, dependendo das características da operação.
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O desafio dos túneis e pontes
A adoção de novas tecnologias, porém, não depende apenas da disponibilidade de locomotivas no mercado. Um dos principais obstáculos apontados por Segalla é a própria infraestrutura ferroviária.
A malha da companhia tem trechos construídos há décadas, com túneis, pontes e outras estruturas que limitam o tamanho e o formato dos equipamentos que podem circular.
Segundo o executivo, algumas locomotivas mais modernas precisam ser adaptadas para passar por determinados pontos da malha. Em alguns casos, a diferença disponível é de poucos centímetros.
“O grande desafio é que a nossa malha tem muitos túneis”, disse.
Esse problema ganha importância quando se considera a diferença entre os equipamentos desenvolvidos para diferentes mercados.
Uma locomotiva projetada para operar em uma ferrovia nova, por exemplo, pode não ser adequada para uma linha construída em outro período e com restrições físicas específicas.
Por isso, a MRS vem discutindo com fabricantes adaptações de projeto para atender às características brasileiras.
Tecnologia para reduzir manutenção
Outra frente que chamou a atenção da empresa na InnoTrans é o uso de sensores e dados para monitorar a infraestrutura.
Segalla diz que a companhia vê grande potencial no uso de tecnologia para monitorar os trilhos e identificar problemas antes que eles causem falhas, reduzindo a necessidade de reparos.
A empresa também busca ampliar a mecanização das atividades de manutenção. “O objetivo é reduzir a necessidade de trabalho manual, principalmente em tarefas realizadas em condições de maior risco ou insalubridade”.
Produção brasileira
As 50 locomotivas serão fabricadas em Contagem. A produção deve começar no primeiro semestre de 2027 e utilizar a estrutura industrial existente e a cadeia de fornecedores da Wabtec no país.
A fabricante afirma ter mais de 300 fornecedores locais. O contrato, portanto, representa também uma encomenda de longo prazo para a indústria ferroviária instalada no Brasil.
O presidente da MRS ressaltou a importância de preservar essa capacidade industrial e formar profissionais para o setor.
A preocupação é que ciclos de investimento muito longos possam provocar perda de mão de obra especializada e de conhecimento industrial.
Para ele, manter uma demanda contínua ajuda a indústria a se preparar para futuras encomendas, mesmo quando não há uma perspectiva imediata de forte crescimento no volume transportado.
Uma frota em transformação
A nova encomenda dá continuidade a um processo de renovação iniciado pela MRS nos últimos anos. Segundo o executivo, a companhia comprou mais de 200 locomotivas na última década.
A estratégia, agora, é combinar a substituição de equipamentos com a incorporação gradual de novas tecnologias.
A MRS também acompanha soluções apresentadas na InnoTrans para eletrificação, híbridos, inspeção de vias, automação e manutenção preditiva.
A empresa já realizou testes e pretende avaliar como essas tecnologias podem ser adaptadas às características de sua operação.
Segundo Segalla, a presença brasileira na feira mostra que o país voltou a despertar interesse entre fabricantes e fornecedores internacionais.
“O investimento de R$ 1,3 bilhão, nesse contexto, representa não apenas a compra de novas máquinas, mas um ciclo de modernização da ferrovia brasileira”.
O jornalista viajou a Berlim para acompanhar a InnoTrans 2026 a convite da Plasser do Brasil e da Goldschmidt Brasil.


