No país mais rico do mundo, o comando possui uma assessoria inexpugnável, de fazer inveja. É o que se espera. Em princípio, não se cometem erros, tudo analisado e previsto com precisão milimétrica. Agências de investigação e espionagem, com recursos extraordinários e assassinos a postos, prontos para agir, garantiriam, em princípio, nenhum alvo fora do lugar. No centro das decisões, claro, há seres humanos. E esse é o problema. Nos Estados Unidos, escolheram um que não sabe como discernir. Confunde, com frequência, alhos com bugalhos, com idas e vindas drásticas nas próprias declarações. O resultado, inevitavelmente, termina em desastre. E, agora, o pior: uma guerra no Oriente Médio com reflexos planetários. Donald Trump, com os meios de um belicismo incomparável, julgou que repetiria a experiência com a Venezuela e que tiraria o Irã dos eixos. Um sonho delirante!
O Estreito de Ormuz constitui, sem dúvida, quase uma arma nuclear. Dispara para todos os lados preços estratosféricos nos barris de petróleo, colocando Washington com terríveis acessos de dor de cabeça. Mesmo dotada de autossuficiência quanto ao cobiçado mineral, a Casa Branca tem de suportar, de repente, clamores de protestos internacionais, com crescentes índices de inflação. A continuar assim, as eleições parlamentares de novembro prenunciam atrozes decepções. Trata-se de uma situação em que não há nada a fazer do ponto de vista militar. O fechamento do Estreito de Ormuz representa uma arma de refinada maestria. Reabri-lo à força implicará baixas para o invasor, risco que os americanos não podem correr. A segunda opção depende de entendimentos diplomáticos que passam por outras nações, já que, depois de matar aos borbotões, incluindo vítimas de uma escola feminina, não se percebe, à vista, entre estes contendores, uma solução feliz. Os preços do petróleo, sem dúvida, estimulam outros parceiros a despertarem da letargia e, quem sabe, obterem o que os envolvidos imediatos não logram conseguir.
No entanto, além do combustível que movimenta a economia, há o desafio da estupidez política. A falta de habilidade na condução dos problemas, num país que, em princípio, se ergue como potência, gera arestas difíceis de contornar. Pode-se dizer, no momento, que falta boa vontade entre os ex-parceiros. A Europa, velha aliada, cansou-se de ouvir que não oferece confiabilidade. Não entende, por outro lado, como se envolver numa guerra para a qual não foi consultada…
Verifica-se, então, de uma hora para outra, que EUA e Israel devem lidar com os custos e as verbas estratosféricas de sua própria insensatez. Cidades como Tel Aviv e Haifa, para não citar outras, vêm sendo duramente castigadas. A unanimidade agressiva anterior cede terreno, pouco a pouco, a posições de perplexidade e inconformismo. Netanyahu e Trump, de mãos dadas, começam a descer ladeira abaixo. Extremismos cansam. Barbárie também. Afinal, não há bem que dure, nem mal que sempre perdure.
* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.


